"Quem perdoa o mal, é pior."(eu).
REPÓRTER, VERDADE,BIN LADEN - 04.05.2011

A parte comovente da cobertura sobre a morte de Bin Laden aconteceu dentro de um estúdio de TV. Nenhum depoimento de pai, mãe ou irmão de alguma das milhares de vítimas do terrorista caçado e abatido. Foi um repórter, veterano e acostumado ao sangue e ao fogo das guerras, quem me fez dimensionar o epílogo de dez anos de buscas pelo homem mais satanizado do planeta.
O jornalista Edney Silvestre, da Rede Globo, viveu nos Estados Unidos, correspondente do Jornal Nacional, do Glogo Repórter, do Fantástico e só não da Santa Missa ao Seu Lar, até 2002, um ano após a catástrofe do dia 11 de setembro.
Voltou e se confessou, diante dos telespectadores, depois do que viu naquela manhã em que prédios foram pulverizados, civis soterrados sem direito a túmulo.
Edney Silvestre foi entrevistado no canal Globonews para fazer uma análise fria do que aconteceu em 2001, do que houve no domingo, quando Bin Laden virou cadáver, e também falar das conseqüências e os perigos de uma nova ofensiva fundamentalista sobre o Ocidente.
O que se viu foi um repórter vestido da condição humana que é despida da maioria dos integrantes da profissão dele e minha também. Jornalista (Uma parcela bem considerável) se acha o mediador do universo, a frieza das Dinamarcas, a palmatória das justiças sem códigos, a verdade suprema, a opinião perfeita, a solução dos impasses. Peca – e muito -, mas acha normal, pois jornalista pensa que pode tudo.
Edney Silvestre contou que cobriu no automático a derrubada das Torres Gêmeas, o “símbolo do imperialismo”, segundo os assassinos que se escondem sob religiões e mantras. Descreveu cenas que fizeram real o Inferno descrito por Dante.
O jornalista Edney Silvestre, dos melhores de sua geração, mostrou que, por trás de um laptop, pode haver um ser comum, sem pompas, soberbas ou arrogâncias imperiais. Soltou frases comoventes. Disse, por exemplo, que uma geração de civis foi dizimada por Bin Laden e outra deixou de nascer, tamanha a quantidade de mulheres grávidas abatidas nos ataques aéreos de 11 de setembro.
Entendeu a euforia dos homens e mulheres que gritaram o que nós, brasileiros, escutamos assim: “Iuessêi, iuessêi, iuessêi!”, em pleno estádio lotado de futebol americano.
Aqueles adultos eram meninos, adolescentes, no dia do golpe mais covarde da civilização depois de Hitler, e perderam pais, colegas de rua, de escola, amigos bombeiros, policiais que estavam entrando na segunda torre quando aconteceu a invasão final do outro Boeing.
No final, diante da colega, entre atônita e comovida, Edney Silvestre pediu desculpas: “Eu não queria me emocionar, mas é indescritível a imagem que me vem agora na cabeça e a dor que senti no coração depois, corpos que viraram cinzas, tamanha a bestialidade de Osama Bin Laden.”
O repórter é de carne, osso e sentimento. Melhor é aquele que consegue, sem subterfúgios, expressar a emoção que testemunha apenas na dor do sofrimento dos outros. Palmas para Edney Silvestre.
Coragem não quer dizer bravata, valentia não combina com fanfarronice. O mundo tem que aplaudir Barack Obama, em seu estilo quase blasé e apático, gentleman de estampa etíope, um maître soberano vestindo a camisa 1 do planeta. Teve a paciência para exercer a tática bélica que o seu antecessor não demonstrou nem conseguiu.
Obama matou Osama e arquivou o discurso e o guarda-chuva da covardia que sempre acompanharam os Democratas norte-americanos, desde Kennedy no Fracasso da Baía dos Porcos, quando ele conspirou e deixou os mercenários à deriva para o massacre de Castro.
Depois capitulou, titubeou, ficou com os belicosos e voltou atrás graças ao irmão Bobby nos 13 dias da Crise dos Mísseis. Evitou a Terceira Guerra, precipitou seu assassinato. Lyndon Jonhson amplificou o ratatatá do Vietnã. Sou a favor da paz, sou contra a vacilação. Obama foi histórico, cirúrgico, preciso e sóbrio na ação e no pronunciamento, como um Chefe de Estado voltado ao Mundo.
Desacredito de quem ainda tenha piedade de alguém que prega a palavra de Deus e destroça milhares de pessoas de forma covarde, gente que não estava em qualquer teatro de operações militares, mas trabalhando ou dentro de aviões de carreira.
Guerra é guerra na pura essência do combate. Da velha infantaria ao vídeo-game letal de hoje. Fanatismo é covardia disfarçada por palavras de ordem.
Nelson Mandela passou 28 anos encarcerado na África do Sul. O ódio não tragou sua índole. Eleito presidente, manteve trabalhando todo o gabinete de Frederik De Klerk, do poder que o prendia. Este é o líder, o construtor da harmonia. Só para lembrar a quem tem pena de Osama, a biografia que rima horror e lama.



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